Luhli

Águas de março

Luhli
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol
É peroba no campo, é o nó da madeira
Caingá, Candeia, é o matita-pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É um mistério profundo, é um queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Nas águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
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