Um barril de rap

Inteligência artificial

Um barril de rap
Se ninguém é alguém
Quem é o que pra ter certeza a respeito de quem?
Quem é quem pra ter certeza a respeito do quê?
Eu já nem sei o quê que tô fazendo aqui
Eu quero saber o que tá me deixando assim

Meu Deus, se não se importa quero a resposta
Tô quase na carne viva embaixo de pele morta
Tolero toneladas de intolerância
Li numa revista que é melhor ignorar ignorância

Ignorei, quase que não tolerei
Quando vi que a página falava só de lipoaspiração
Parei, cuidado com o pardal
Homens trabalhando na pista, desculpem o transtorno mental

No horário de verão, no horário do rush
No horário de almoço, snapchat, candy crush
Um mcflurry, e o seu blackberry
Que tu comprou na black friday, toca jones e o larry

Revolucionando as cadernetas
Sou mais um cobaia na minha baia de caneta e baioneta
Transformaram tempo em salário
Me seguraram o mês inteiro, depois bateram no meu carro

O ar-condicionado danifica minha saúde
O gps me conhece, eu transpiro em bluetooth
Olhos infra-vermelhos, paredes com espelhos
Pesadelos, eu durmo numa rede... Wi-fi

Estão mecanizando o mundo
Já botaram lâmpadas, antenas e câmeras da google
Viagem para marte, eu vou de kart, eu quero arte
Esse incômodo no lombo arde mais que merthiolate

Eu cresci com histórias de enlouquecer
Meus olhos tem raio x, a noite enxergo em 3d
Eu sei de algo que faz pirar
Que faz lobotomia, e faz a alquimia acontecer

Vem andar nas avenidas, Taguatinga ou Nova York
Veneno no hortifrúti, facebook ou tamagotchi
Pra vender smartfit, a celulite, o esteroide
Depois racha um fifty-fifty, o 50 cent, o "cand shop"

Vocês não sabem um terço, plastificaram o sexo
A terra sai do eixo em todo ano bissexto
Tomei na circunferência, o orgânico é sintético
O rei da competência é o dono do antisséptico

O homem vende o filho, a mulher costura o hímen
Leiloa em serra leoa prum cara que vem do chile
Um velho que fez a boa vendendo pele de tigre
Outra mulher em lisboa, uma memória igual do mib

Um litro de gasolina equivale a um barril no Líbano
Saibam que a ritalina vem do vale do silício
Pra você fazer silêncio eu gosto de dar indício
Fazem isso nas arábias com incêndio no prepúcio

Agora eu tenho um chip, tu me acha onde eu tiver
Mesmo chip que botaram na pele do chimpanzé
Posso resistir a tudo, menos às tentações
Por isso a maçã mordida atrás da selfie com os melões

A erva foi proibida, aumentou o preço da cerva
O que tem nessa comida é o mesmo que mata a vida
Remédio pra ferida é o que me dá dor de cabeça
Não entendi uma linha do que tinha na receita

Esse é o show do milhão, quem não quer ser um milionário?
Confundindo automação com formação de sedentários
Se eu fugi da babylon, de todo estresse diário
Vão me chamar de doidão, você de esperto e eu de otário

E eu mergulhei na imensidão do oceano
Questionei platão, plutão, o plutônio
Pensei em células nas cédulas de moçambique
Nas mercadorias das mulatas de sergipe

E eu pensei no ebola, lembrei do hiv
Observei a copa, as tropas, a tv
Quem foi adão e eva? A terra rumo à marte
Eu não quero morte, mas aqui é morra ou mate

Olhem as prisões, a revolução industrial
Expliquem vulcões, o paquistão, o senegal
O nascimento, os ventos solares
O derretimento das calotas polares

O petróleo, as drogas, o deserto
O cemitério, as almas e o ódio
Hollywood, as pirâmides, a torre eiffel
Os viajantes, o fast-food, o conto do noel

O muro de Berlim, a muralha da china
A praia de guaibim, as religiões da índia
O Egito, a sibéria e a Rússia
O suicídio, a miséria e a bússola

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