Antônio miranda

À glória de walt whitman

Antônio miranda
Então, é isso, a vida
revelada enfim após
tantos espasmos e convulsões. WW

Eu, abjeto, confesso:
o conhecimento não pressupõe
a superação de problemas.

Eu, incestuoso
nivelo: construir é destruir
é mudar, tanto faz.

Eu, narcisista, como Whitman
concebo o homem
em estado puro.

Eu, anarquista
como o Barbudo democrata
panteísta
que só via o Todo
e ainda assim
desprezando regras morais.

Eu, imoral
diante da Morte celebrando a vida
- aquela vida que se reproduz e
perpetua-se
e rejuvenesce em outros corpos
feitos de pólen ou de
esperma
no ciclo infinito do universo.

Conhecimento da vida
da rua, do padecimento
- corpos possuídos, devorados
para a ressurreição
ou sucessão.

Formas que nascem e fenecem
que renascem
que não partam antes
que nelas deposite
o quanto trago acumulado.

Sêmen/te
o caminho do Oriente
o olho da serpente.

O sexo contém tudo, corpos, almas...
Sentidos, provas, pureza, leveza...

Eu, pedaço de Tudo
sofro a amputação
e protesto:
quero minha parte impura
confesso minha covardia
proclamo minhas limitações!!!

E teço o canto do mal
e comemoro essa parte de mim

Oh varar noites, vendavais, fome e desejo
recusas e atropelos, feito
árvores e animais.

É inscrever um poema
no coração da América
e na consciência do mundo
um poema-sujo
(que é o mais limpo de todos
como Gullar já demonstrou)
o anti-poema de Nicanor Parra
um hieróglifo, um código secreto
para os iniciados
e promover a leitura do Ser
em nossas entranhas e
entrelinhas.

Perverter os sentidos
em busca dos sentidos.

Velho amoral! Bruxo ianque!

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