Julio code

Tempos temidos

Julio code
Caminhando
Por sobre o nada
Meu espírito vaga
A dor que consumo
Me devassa
E em dilúvio
Derramo lágrimas

Escarnecedores
Cercam meus passos
Ferem meus atos
Insanos pensares
Refletidos
Num conto de fato

Algo me para
Sinto o som chegando
Carregado ao vento
O ar vem quente, "irrespirante"
Afogo-me num calor intenso

É imensa em mim
A força do hábito
A mente confusa
Um tanto indecifrável
Ouvindo calada
O grito de um pressagio
Que se concretiza
Em menos de um estalo

Sinto distante
A sensação de um corpo
Coração batendo
Em ritmo assombroso
Então olho ao entorno
E só o que vejo
São almas pedidas
Perambulando
Percebo no som
Trazido pelo vento
Cada vez mais rápido
Se aproximando

Em gemido e clamor
A dor se faz presente
Mostrando-me horror
Em rosto sofrido
Numa guerra sem lei
Que me faço presente
A guardar memorias d
Dos tempos temidos

Sentindo-me aflito
Eu não sei
Se grito, se choro
Se pulo ou me atiro
Só sei que este medo é real
Então tento fugir
Me esconder
Distante do perigo

Cai de joelhos
Sem ver nem sentir a presença
Mas sei que uma mão me toca
Nos meus olhos entreabertos
A imagem fosca
De um grupo que me desloca

Em passos corridos
Cansados
As vozes distantes
Num tom meio sussurrado

As faces vermelhas
Da cor do sangue
E de boina verde
Tipo soldado

Uma voz masculina arrogante
Disparando ordens
A míseros subordinados
No fundo da cela
Uma fresta me mostra
A vida ordinária do outro lado

Calado ouvindo apenas
O som da respiração
E mosquitos voando
O escuro da noite é envolvente
O medo existente
Na incerteza de outro plano

Confuso sem nada saber
A respeito do cativeiro
Ao qual me encontro
Ansioso para ter
Logo uma resposta
Se é mesmo real
Ou se foi tudo um sonho

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