Numismata

Indulgente

Numismata
Se a felicidade viesse num samba de roda
Num mote doído fingindo ser maracatu,
Tropeçando em poesia,
Como quem tropeçasse num rastro a procura de amor

Com o choro contido calado no fundo do peito
Implorando o respeito daquela que então desdenhou
Solidão não poderia
Conter a progressão de alegria com um acorde menor

Quando chora o meu pandeiro
Ah! ninguém cala o meu sofrer
Seu sofrer é passageiro
Ah! em matéria de dor eu sou mais eu

Se a felicidade calasse a servil melodia
E a invadisse de filosofia de botequim
Se imbuísse meus dedos cansados de diplomacia
Com o vigor das palavras que então nasceriam de mim

Se preenchesse meu peito vazio de sutil ironia
E sutil revirasse do avesso o que dou valor
A solidão não poderia
Conter a progressão de alegria com um acorde menor

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