Renata cabral

Vento de viração

Renata cabral
Vento que sopra na folha
Folha que canta no chão
Chão que se arrasta vassoura
Varre a poeira e o porão
Todo o silêncio de agora
Zune e assovia a canção
Veja que o vento, lá fora
É um vento de viração

Bufa na barra do dia
E o sol não sai de manhã
Do braço o pelo arrepia
Que a casa é de telha-vã
Se o céu de nuvem encapela
Visto o casaco de lã
Se o vento bate na vela
Peço pra dona Iansã

Que traga o amor para casa
E eu possa olhar os seus olhos de avelã
Olhos que me fazem brasa
Um flash, um quasar, um raio de Tupã

Tem pé de vento na roupa
Vento que estufa pulmão
Embora, de vento em popa
Às vezes ele é um tufão
Tem vento que nada poupa
Que dá na cara com a mão
Vento que assopra na sopa
Inflama, acende o carvão

Vento que a treva dissipa
Empina a pipa no céu
Que ondula o mar de tulipas
No mar de Montevidéu
Vento, que gruda a camisa
Muda de brisa a tropel
Um redemunho, que cisma
Bota no mar o escarcéu

Tem vento bravo que leva
Tem vento breve que traz o que levou
Vento que lava minh’alma
Vento, de leve, que acalma
Vento que trouxe o perfume da flor
Que trouxe a dama-da-noite
Da noite que venta doce em nosso amor

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