Thiago amud

Quem vê cara

Thiago amud
Se você tiver um coração
Ou víscera qualquer
Fique à vontade pra me desamar como quiser
Raiva é direito de qualquer cristão
Mas sua raiva não é o revés da paixão
Não vem do vácuo de um amor
É grita de consumidor
Que exige a indenização
Porque amassaram seu embrulho
Avariaram seu orgulho
Ou bloquearam seu cartão

Acho que, aliás, tudo que eu fiz
Foi mais pra lhe ferir
Pra macerar sua fria secura de faquir
E lhe fazer ao menos infeliz
Mas tem um ângulo reto no seu nariz
E um quê de cacto no olhar
Que nem a dor pode abrandar
Quem olha vê que não condiz
O seu discurso com a cara
Pois um muro lhe antepara
E eu mal arranho seu verniz

Arranque a máscara se ainda for capaz
Ponha uma lágrima pra fora que eu já não agüento mais
Essa mortalha a guisa de paz
Esse fastio feito praga que se espalha

Eu preferia que você fosse cruel
Que me batesse ou me cuspisse ou me fizesse um escarcéu
Era melhor sorver do seu fel
Tomar um talho de navalha, até morrer de tanta represália

Mas você tem palha no lugar
Que eu tenho um coração
Palha gelada onde chispa não vira combustão
Qual espantalho em região polar
Só que as palavras que você deu de falar
Tilintam como as de um robô
Que num arroubo variou
E não consegue mais calar
Porque deu curto no sistema
Quando ouviu um teorema
Sem registro em seu radar

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